A Rolling Stone publicou o seguinte review do Death Magnetic, o novo álbum dos Metallica com previsão de lançamento para 12 de Setembro:
Nos anos 80, o thrash metal não era uma cena, era uma corrida de braços: riffs continuavam a aumentar de velocidade, os kits de bateria cresciam. Mas com o álbum preto de 1991, os Metallica optou pela desarmamento unilateral, diminuindo a velocidade, encurtando suas músicas e fundindo suas guitarras e baterias com ganchos pops. Depois disso, a banda foi de uma reinvenção para outra, começando com a infusão de southern rock do Load de 1996 e culminando no confuso e bizarramente produzido e sessão de terapia em grupo, St. Anger, de 2003. Não mais: Death Magnetic é o equivalente musical a invasão da Rússia na Georgia - um ato repentino de agressão de um gigante adormecido.
Assim como o U2 voltou ao sua essência depois do Pop, este álbum é os Metallica se tornando Metallica de novo - especificamente, a versão épica e veloz da trilogia da banda dos anos 80: Master of Puppets, Ride the Lightning e, especialmente, o progressivo ...And Justice For All. Isto fica muito mais claro aos 90 segundos da primeira música do Death Magnetic, "That Was Just Your Life", onde a banda libera a barragem de riffs de James Hetfield e a bateria oitavada de pedal-duplo-e-caixa de Lars Ulrich. Aquele som há muito esquecido, tão essencial para os Metallica quanto as variações do riff de "Start Me Up" para os Stones, está em todo o álbum - você se pergunta como esses quarentões vão tocar isso ao vivo noite após noite.
Death Magnetic marca a separação do grupo com o produtor Bob Rock, que cuidou de todos os álbuns dos Metallica entre 1991 e 2004 e que os levou a concisão e imediatismo - até o St. Anger, quando ele parece ter erguido as mãos. (Como o documentário de 2004, Some Kind of Monster, demonstrou, Rock merece crédito por ter tirado alguma música de uma banda determinada a se auto-destruir.) O novo produtor Rick Rubin força os Metallica na direção oposta: metade das faixas do Death Magnetic tem mais de sete minutos de duração, com estruturas que não são muito "verso/refrão/verso" e sim "introdução longa/jam pesada/verso/jam ainda mais pesada/refrão/bridge/solo louco/outro".
Isto parece como o movimento certo para uma era onde o Guitar Hero é uma nova rádio de rock (Apropriadamente, o álbum completo poderá ser baixado para jogar no GH.) E não é como se as Top 40 emissoras fossem colocar os Metallica entre Chris Brown e os Jonas Brothers, de qualquer forma. Estas músicas raramente parecem longas demais: em seu melhor, elas combinas a esperteza melódica dos trabalhos maduros do Metallica com o poder do início da carreira. "The End of the Line" é uma locomotiva do rock com um riff ricocheteante e letras sobre uma estrela viciada em drogas e condenada. Ela leva a um duelo frenético de guitarras entre Kirk Hammett e Hetfield, um solo cheio de wah-wah e, finalmente, uma bridge que parece como uma música completamente nova. E a espetacular "All Nightmare Long" - uma espécie de sequência temática de "Enter Sandman" - combina guitarras implacáveis do Master of Puppets com um refrão digno do álbum preto.
St. Anger foi uma tentativa falha de recapturar o mojo da banda ao soar "cru" - mas o Death Magnetic consegue soar grande, polido e violento. A musicalidade soa viva e o novo baixista Robert Trujillo ajuda, embora ele seja ouvido em geral como um som distante e onipresente. (Houve aguma banda mais aversa ao baixo no rock?)
Supostamente há uma temática nas letras aqui - algo sobre a morte - mas é difícil discernir. Depois de expandir seu leque de temas nos álbuns anteriores, Hetfield agora está tão determinado a re-metalizar que ele cai na auto-paródia: "Venom of a life insane/Bites into your fragile vein" ("Veneno de uma vida insana/Morde na sua veia frágil"), canta na "The Judas Kiss". A meio-balada meio-thrash no estilo da "One", "The Day That Never Comes" aparece ser outra aventura da difícil infância de Hetfield, completa com o péssimo trocadilho com "son shine" ("brilhe filho").
Mas se você ignorar as letras, o Death Magnetic soa mais como se estivesse voltando a vida. Tudo vem junto na provável favorita dos fãs, "Broken, Beat and Scarred", que consegue canalizar toda a força dos Metallica por trás de uma mensagem positiva: "What don't kill ya make ya more strong" ("O que não te mata, te torna mais forte"), canta Hetfield, com energia suficiente para fazer o cliché soar novo. O aforismo que ele parafraseia vem do Crepúsculo dos Ídolos de Nietzsche, que tem o subtítulo de "Como Filosofar com o Martelo". A filosofia dos Metallica pode ficar bamba, mas que o martelo acerte por muito tempo. |